sábado, 19 de fevereiro de 2011

Independência

Hoje a Rosa acordou. Em silêncio se levantou. Conseguiu sair do berço sozinha. Tirou a fralda. Jogou no lixo. Pegou a calcinha na gaveta. Colocou a calcinha. Pegou o chinelo e colocou no pé. Quando vi já estava prontinha. Veio correndo e me deu um beijo de bom dia.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Mania masculina

A Rosa me surpreendeu ontem:
- Mamãe, homem faz assim ó!
E enfiou a mão dentro da calcinha fingindo ajeitar você sabe o quê.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Curtas

Vovó Rosimar:
- Rosa, você tem de mais atenção pra vovó. Eu gosto tanto de você!
-Ah vovó, eu sou assim!

Papai Rogério:
-Vamos Rosa, a gente tá atrasado. Rápido.
- Papai, eu tenho o meu tempo, tá?

Rosinha no carro:
- Papai, liga logo esse ar condicionado.

Rosinha no elevador:
- Mamãe deixa eu te mostrar. Esse é o 7, onde a gente mora. Esse é onde fica o nosso carro. Esse é onde fica o Manuel. Esse é onde fica os outros carros.

Rosinha chegando lá em cima, na sala, sozinha, depois de acordar:
- Oi!
- Filha você acordou e veio aqui sozinha? Você não ficou com medo?
- Não mamãe, eu tava com a minha fraldinha!

Depois do almoço, todos amontoados na cama (eu, Rosa, Lucas e Carol) cochilando:
- Tio Luquete quer um pouquinho da minha fraldinha?

Rosinha para um amigo meu que estava desacompanhado:
- Você é casado com quem?

-Rosa!
- Eu sou a Emília, mamãe. E você é a Tia Anastácia.
- Ah, tá!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sinceridade

Um dia fui buscar a Rosa na creche. Quando ela me viu, ficou decepcionada:
- Não é o papai!
- Não, filha. A mamãe que veio buscar.
- O papai tá lá fora?
- Não. O papai tá trabalhando.
- Ele tá trabalhando lá em casa?
- Não, filha. Ele tá trabalhando na rua. Vamos?
- Mas eu queria o papai...
Fiquei ligeiramente balançada. Mas como já tinha acontecido outras vezes, relaxei.
- Vamos, periquita!
No entanto, ela não se deu por satisfeita. Abriu o maior berreiro. Eu fui ficando sem graça...
- Buaaaaa! Eu queria o papai...
Sufoco!
Já em casa, ela mais calma, conversamos:
- Filha, você não gosta quando mamãe te pega na Favinho?
- Não, eu prefere o papai.
- Mas eu gosto tanto de você. Você gosta da mamãe?
-Não!
- Gosta sim. Gosta igual, do papai e da mamãe, né?
- Igual nada! Gosto mais do papai.
Encerrei o assunto. Pra que cutucar mais?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Novas composições

A Rosinha agora deu pra fazer paródia e acrescentar letra nas músicas. A primeira invenção foi bem romântica e fez até gente chorar de emoção; já a segunda foi aquela típica de moleque. Vou contar.
Depois de ouvir meu afilhado (lindo) Tiago cantar Carinhoso, lá em Caldas Novas, a Rosa pediu pra eu cantar pra ela. Ela observava meus lábios com uma atenção absurda, se concentrando pra aprender a letra. Aprendeu a primeira parte depois de escutar três vezes. Passou a cantar com graça, fazendo até gestos com a mão.
Em Brasília, na casa da vovó, ela se afeiçoou com o Seu Lourenço, o caseiro. Gritava ele pra cima e pra baixo. Puxava conversa. Pois bem, um dia deu na telha e quando eu ouvi, ela estava cantando toda faceira:

"Meu coração
Seu Lourenço
Não sei porque
Seu Lourenço
Bate feliz
Seu Lourenço
Quando te ver"

Tudo certinho. O "Seu Lourenço" vinha no contracanto, com melodia e ritmo corretos.
Ficamos doidos. O Seu Lourenço ficou com os olhos cheios de lágrimas. Fizemos ela cantar pra todos: mamãe, papai, Tia Nelma, Vovó Lena, Vovô Caio...

Já no Rio, Rosa estava empolgada cantando a música do Cascão.

"O Cascão aposta e ganha vai morrer sem nunca tomar banho..."

Parou, riu e soltou essa:

" A mamãe aposta e ganha vai morrer cocô de fedorzão".

Pro meu alívio, depois cantou com o nome de todo mundo.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A versão dele

Essa história tinha que tá no blog do Bento, mas como ele não tem e como a Rosa é antagonista, resolvi contar.
O último presente que o Bento recebeu do Papai Noel foi um jogo. Logo depois que abriu o embrulho, ele foi logo "lendo" as instruções e avisando a sua mãe:
- Mãe, tá vendo esse escrito aqui. Tá dizendo assim " a prima não pode mexer". Tá vendo? É isso, "a prima não pode mexer".

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Diálogo 2

Rosinha está encantada com o brinquedo do Bento: um pato de madeira que desce a rampa quando empurrado por alguém.
-Bento, sabia que eu tenho um cavalo que faz assim também.
- Você tem um cavalo, Rosa?
- Tenho.
- Pega ele.
- Não dá, tá muito longe.
- Tá muito longe, é? Tá no Rio de Janeiro?
- É
-Sabia que eu estou precisando muito de um cavalo? Você está precisando de um pato, Rosa?
- Tô, eu estou precisando de um pato, Bento.
- É!
- É!